Em que Deus acredito? 8/05/07
Não fui convidado mas já vou entrando de bicão no meme iniciado pela Carol e pelo Tiago no Mal Vicioso. Eles lançaram a pergunta pra blogosfera: Em que deus você acredita? Pergunta difícil e polêmica, a moçada tem peito pra iniciar belas discussões.
Vamos lá. Vinícius, em que Deus você acredita? Eu venho me perguntando isso a anos. Quando se é criança você não acredita em nada por si só, então eu acreditava em Deus porque simplesmente todos falavam Papai do Céu existia. Minha família era católica porque no Brasil quem não tem religião é católico. Ninguém freqüentava a igreja ou falava muito sobre religião. Depois que eu cresci um pouco e comecei a pensar sozinho passei a questionar bravamente esse Deus cristão onipresente e onipotente que determina o rumo das nossas vidas. Nos meus 16-17 anos eu dizia que era ateu, não acreditava em Deus algum. Quando eu tinha uns 18 anos de idade a minha mãe passou a freqüentar a igreja evangélica Presbiteriana Independente. Inicialmente foi sozinha, depois levou as minhas duas irmãs e eu nunca aceitei o convite. Mulher sensata e sábia, mamãe nunca quis brigar comigo por isso, aceitava minha escolha e pronto.
Nesse mesmo ano eu fui morar sozinho em outra cidade e depois de um tempo passei a não me posicionar mais como ateu, eu já não tinha certeza de nada e a única coisa que eu sabia é que não queria pensar sobre isso. Se você me perguntasse sobre Deus eu falaria que não pensava sobre isso e queria não continuar pensando.
Alguns anos se passaram e eu voltei a morar na casa dos meus pais. Não pude deixar de notar que durante esse período todo as coisas em casa mudaram muito e sempre pra melhor. A minha mãe era uma mulher mais segura, mais sábia, mais calma e todas as dificuldades que qualquer família brasileira vive sempre era superada com maestria. O relacionamento da família entre si mudou, também pra melhor. Nessa altura do campeonato eu já não tinha mais como ignorar que a religião melhorou muito a vida da minha família. Quem diria? Se você não fosse idiota o suficiente para entregar todo seu dinheiro pro Edir Macedo e seus sócios a religião poderia ser algo bom. Eu tive que dar o braço a torcer e aceitar que para alguns a religião faz bem sim. Curioso passei a me questionar ainda mais: Que fé é essa que muda as coisas assim? Nem todo religioso é cego, surdo e mudo.
Sai da total descrença na religião e na fé para ser alguém mais curioso e aberto ao assunto. Ainda hoje eu tenho dificuldades em definir no que eu acredito. Ouço todos os ensinamentos religiosos da minha mãe e reflito sobre eles, afinal a cabeça deve estar sempre aberta. Ainda não consigo aceitar completamente um Deus que determina os rumos da minha vida, eu não gosto de não ter o controle, não acho nada justo. O Deus cristão é bom e cheio de amor mas apenas se você se ajoelhar pra ele e deixar que ele controle a sua vida. É difícil. As vezes eu tento me entregar a isso mas acabo não me sentindo justo, nem comigo e nem com ele. Eu não consigo aceitar meias verdades então não posso deixar de acreditar em coisas que a ciência já provou para aceitar totalmente palavra por palavra da Bíblia. E segundo alguns, se eu não fizer isso não adianta nada.
Diante desses fatos continuo curioso e aberto a conversas, experiências e seja lá mais o que vier. O fato de não ter uma posição certa sobre essa questão me deixa perturbado. Tenho algumas idéias mais livres, gosto de ver a segurança que minha família tem na fé mas não consigo juntar os dois mundos. Parece que ter que ser tudo ou nada, não existe meio termo, não tem meio do caminho. Já se passaram 8 anos desde os tempos de garoto ateu de 16 anos e eu ainda não consegui definir em que Deus eu acredito. Seria ele alguma força dentro de mim mesmo? O assunto dá pano pra manga.
isso realmente da muito pano pra manga. eu e fernanda ja passamos tempos discutindo. eu como ateu, ela como nao ateia com pensamento aberto. interessante.
Comentário por iru, em May 9, 2007, às 4:21 am. #.